Igrejinha do Bonfim, Angra dos Reis

 

A Ermida do Senhor do Bonfim, popularmente conhecida como a Igrejinha do Bonfim, é um dos cartões-postais mais icônicos de Angra dos Reis. Localizada em uma pequena ilhota na Enseada da Batista das Neves, ela combina história colonial, arquitetura singular e lendas que atravessam gerações.

1. Construção e Origem

A capela foi inaugurada em 3 de maio de 1780 (dia em que se comemora a festa do santo). Sua construção é atribuída a Manoel Francisco Gomes, um arquiteto e morador local.

Existem duas versões históricas para sua fundação:

  • A Promessa: Diz-se que Manoel Francisco Gomes a ergueu como forma de agradecimento por ter sido salvo de um naufrágio naquelas proximidades.

  • A Lenda da Imagem: A tradição oral conta que um pescador encontrou uma imagem de Cristo Crucificado sobre uma pedra na ilhota. Ele a levou para o Convento do Carmo, mas a imagem desaparecia e reaparecia misteriosamente na mesma pedra onde foi achada. Isso teria ocorrido três vezes, o que foi interpretado como um sinal divino de que uma igreja deveria ser construída exatamente naquele local.

2. Arquitetura e Inclusão Social

Diferente de muitas igrejas coloniais, a igrejinha possui um amplo alpendre (uma varanda coberta) com quatro colunas na fachada.

  • Propósito: Esse alpendre foi projetado para abrigar os fiéis que não cabiam dentro da pequena nave. Além disso, no período colonial, era o local onde os escravizados podiam acompanhar as missas, já que muitas vezes eram proibidos de entrar nos templos.

  • Estilo: Apresenta elementos dos estilos Barroco e Rococó, com um altar do século XIX. Recentemente, restaurações do IPHAN revelaram as cores originais (predominantemente o azul) por baixo de camadas de tinta aplicadas ao longo dos anos.

3. Patrimônio e Tradição

  • Tombamento: A igreja é protegida pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) desde 1954.

  • A Festa do Bonfim: É uma das celebrações mais tradicionais de Angra, ocorrendo na primeira semana de maio. Inclui procissões marítimas, missas e a famosa parte festiva na areia da praia (Praia do Bonfim), com barracas de comida e a brincadeira do "pau de sebo".

Curiosidades

  • Acesso: O acesso é feito apenas por barco ou nadando/caminhando com a maré muito baixa (embora o trajeto de barco a partir da Praia das Gordas ou da Praia do Bonfim seja o mais comum).

  • Mini Doc: Recentemente (em 2024), foi lançado um minidocumentário intitulado "A Igrejinha do Bonfim", produzido com recursos da Lei Paulo Gustavo, que explora essas memórias através de entrevistas com moradores e historiadores.


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